O que um café, um copo e um papel toalha podem ensinar sobre Compras?

Começamos esta pequena sequência com três itens que, aos olhos de qualquer pessoa de fora de Compras, parecem extremamente simples: café, copo descartável e papel toalha.

Você provavelmente percebeu que existem muitas coisas em comum entre eles.

Falamos sobre quantidade, unidade de medida, marca, apresentação, material, qualidade, embalagem, consumo e histórico de compras. E tudo isso antes mesmo de pedir uma única cotação!

Pois é. É aqui que começa a formação do comprador.

Você ainda nem começou a negociar

Talvez esse seja o principal aprendizado desta primeira sequência.

Quando uma requisição chega até você, sua primeira responsabilidade não é procurar três fornecedores e perguntar quanto custa.

Antes disso, você precisa entender o que realmente está comprando.

No café, descobrimos que uma simples confusão entre pacote e caixa pode transformar completamente a quantidade comprada.

No copo descartável, percebemos que capacidade, marca, material, cor e resistência podem fazer diferença.

No papel toalha, fomos um pouco além: começamos a perceber que o produto mais barato nem sempre representa o menor custo para a empresa. Um papel com baixa absorção pode custar menos por fardo, mas exigir muito mais folhas para realizar a mesma tarefa.

Percebe como nosso raciocínio já começou a mudar?

O comprador começa fazendo perguntas

No começo da carreira, talvez você tenha receio de perguntar.

Não tenha.

Seja curioso.

Pergunte ao requisitante. Consulte o histórico. Veja o que foi comprado anteriormente. Converse com quem utiliza o produto. Observe a embalagem. Entre no site do fabricante. Leia a ficha técnica quando existir. Entenda como o fornecedor comercializa aquele material.

Aos poucos, aquela requisição que parecia apenas uma linha dentro do sistema começa a contar uma história.

E você começa a desenvolver algo que levará para categorias muito mais complexas no futuro: capacidade de análise.

Essas pequenas compras são uma excelente escola

Café, copos e papel toalha normalmente fazem parte do enorme universo dos materiais indiretos, assunto que abordaremos mais adiante.

Não menospreze essas primeiras categorias.

É justamente nelas que o comprador iniciante pode aprender, com riscos relativamente menores, conceitos que utilizará durante toda a carreira.

Você começará a conhecer o consumo da empresa, entender unidades de medida, identificar padrões, conversar com clientes internos, conhecer fornecedores, comparar produtos e perceber que preço é apenas uma das variáveis de uma boa compra.

A complexidade aumentará. O raciocínio permanecerá.

E tem mais uma coisa acontecendo aqui…

Enquanto você aprende, seus requisitantes também aprendem.

Quando você explica por que precisa da marca, da unidade correta ou de uma informação no campo de observações, está ajudando aquela pessoa a fazer uma requisição melhor na próxima vez.

Não transforme isso em uma guerra entre Compras e requisitantes.

Ajude. Oriente. Explique.

Pode dar trabalho no começo, mas com o tempo você constrói confiança, parceria e um processo melhor para todos.

E Talvez esteja aí uma das habilidades menos comentadas da nossa profissão: um bom comprador também ajuda a desenvolver quem compra junto com ele — inclusive fora da área de Compras.

Agora podemos comprar

Até aqui nossa missão foi entender a requisição.

No próximo passo, finalmente vamos ao mercado.

Vamos aprender a pesquisar fornecedores, solicitar uma cotação, comparar propostas e montar nosso primeiro mapa comparativo.

E aí você começará a perceber outra coisa importante:

receber três preços não significa ter três propostas comparáveis.

Prazo de entrega, condição de pagamento, frete, impostos, marca, embalagem e atendimento começarão a entrar na nossa análise também.

Agora sim…

vamos às compras!

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